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Pallet plástico ou de madeira: a comparação em números

Atualizado em · Equipe técnica ROLL

Em resumoUm pallet plástico compensa quando volta: custa mais, mas ao longo de muitas viagens o seu custo por viagem fica abaixo do da madeira. Se o pallet vai e não volta, ou se você perde muitos, a madeira continua mais barata e, segundo o principal estudo de ACV revisado por pares, também tem a menor pegada de carbono.

Na escolha entre pallet plástico ou de madeira, o fator decisivo é o número de viagens que o pallet faz antes de quebrar ou desaparecer. Aqui você encontra peso, vida útil, custo por viagem, higiene, exportação e impacto ambiental, com fontes, inclusive as que favorecem a madeira.

Pallet plástico e pallet de madeira EPAL, ambos 1200×800, lado a lado no piso de um armazém
Mesmo formato 1200×800: a madeira custa menos, o plástico dura mais e só compensa se voltar.

A comparação em uma tabela

Critério Pallet de madeira Pallet plástico
Peso (1200×800) em geral cerca de 10-20 kg de 5,2 kg (encaixável) a 20-25 kg (para cargas pesadas) [1][2]
Preço de compra referência 2 a 5 vezes o da madeira segundo um fabricante de plástico, 3 vezes no modelo dele [3]
Viagens 5-10 segundo a associação da madeira, 11 no ensaio encomendado por um fabricante de plástico [3] 280 ciclos no mesmo ensaio [3]
Reparável sim, tábuas e blocos podem ser trocados muitas vezes, com solda ou adesivos estruturais, mas depois é preciso verificar a capacidade de carga; no fim da vida útil é moído e reciclado (pallets usados e reciclagem)
Exportação para fora da UE tratamento HT e marca NIMF 15 [6] fora do escopo da NIMF 15 [6]
Lavagem difícil, absorve umidade lavável, existe com face fechada
Pegada de carbono por viagem menor na ACV de Anil et al. [5] maior no mesmo estudo, também em 100.000 viagens [5]

Em geral, o pallet plástico ganha nos critérios de uso, e a madeira ganha no preço e, no estudo de Anil et al., na pegada de carbono. O número de viagens decide qual dos dois compensa mais para você.

Peso: conta nos caminhões e nas costas das pessoas

Esquema do peso de três pallets 1200×800: de madeira EPAL, plástico encaixável e plástico para cargas pesadas
Peso comparado: madeira cerca de 10-20 kg, plástico encaixável a partir de 5,2 kg, plástico reforçado para porta-paletes 20-25 kg.

Um pallet de madeira 1200×800 costuma pesar cerca de 10-20 kg. Um pallet plástico encaixável do mesmo formato começa em 5,2 kg [1]; um modelo reforçado para porta-paletes chega a 20-25 kg [2], ou seja, pesa tanto quanto a madeira ou mais.

A economia de peso conta sobretudo no frete aéreo e nos pallets só de ida. No porta-paletes o pallet fica apoiado entre duas longarinas, enquanto no piso ele se apoia em toda a base: por isso um armazém com porta-paletes precisa de um pallet rígido, com capacidade em porta-paletes declarada, e no plástico rigidez custa quilos. Peso e classes de carga são explicados em capacidade de carga de pallets plásticos.

Vida útil: os números e quem pagou por eles

Esquema das viagens declaradas para pallets plásticos e de madeira, mostrando quem pagou cada estudo
280 ciclos contra 11 em laboratório, 5-10 viagens segundo os fabricantes de pallets de madeira: esses números vêm de partes interessadas; o número real, você mede no seu próprio circuito.

Sobre quantas viagens um pallet faz, quase todos os dados publicados vêm de empresas que vendem um dos dois materiais.

  • 280 ciclos para o plástico e 11 para a madeira: ensaio num laboratório universitário encomendado por um fabricante de pallets plásticos [3].
  • 5-10 viagens para a madeira: o número que a mesma fonte atribui à associação norte-americana dos fabricantes de pallets de madeira [3].
  • Duas ACVs citadas com frequência, uma delas publicada em 2008, foram encomendadas por dois operadores de aluguel de pallets: um com pallets de madeira, o outro com pallets plásticos [4].

Um ciclo de laboratório não equivale a uma viagem real: garfos, impactos e porta-paletes danificados encurtam a vida dos dois materiais. O número confiável é o que você mede no seu próprio circuito.

Custo por viagem: o modelo com as hipóteses à vista

Gráfico do custo por viagem de pallets plásticos e de madeira à medida que as perdas aumentam
Custo por viagem: com menos de 4% de pallets perdidos por viagem, o plástico ganha; acima disso, ganha a madeira.

O preço de compra diz pouco. O que conta é o custo de cada viagem, ou seja, o preço dividido pelo número de viagens que o pallet realmente faz antes de quebrar ou desaparecer.

Hipóteses do modelo:

  • índice de preço: madeira = 100, plástico = 300 (a relação de 1 para 3 usada no modelo de um fabricante de plástico, que indica uma faixa de 2 a 5 [3]);
  • vida máxima: madeira 10 viagens, plástico 100 viagens (um número prudente, bem abaixo dos 280 ciclos de laboratório);
  • perda por viagem: a parcela de pallets que não volta. Um pallet perdido não faz mais viagens;
  • excluídos: transporte de retorno, lavagem, reparos, descarte.
Perda por viagem Madeira: viagens médias Madeira: custo/viagem Plástico: viagens médias Plástico: custo/viagem
0% 10 10,0 100 3,0
1% 9,6 10,5 63 4,7
2% 9,1 10,9 43 6,9
5% 8,0 12,5 20 15,1
10% 6,5 15,4 10 30,0

Cálculo: viagens médias = (1 − (1 − p)^N) / p, onde p é a perda por viagem e N a vida máxima.

Com essas hipóteses, o ponto de equilíbrio fica em torno de 4% de perdas por viagem. Abaixo desse limite, o plástico custa menos por viagem; acima, custa mais, mesmo que o pallet pudesse durar mil ciclos. O mesmo fabricante, com o próprio modelo, coloca o ponto de equilíbrio em 33 viagens usando a vida útil da madeira medida no ensaio, e entre 15 e 30 usando o número informado pela associação da madeira [3]. Antes de comprar, meça quantos pallets voltam para você. Se você perde muitos e não consegue recuperá-los, compare a compra com o aluguel de pallets plásticos.

Higiene

Pallet plástico de face fechada sendo lavado com jato de alta pressão numa área de lavagem da indústria de alimentos
Um pallet plástico de face fechada pode ser lavado com jato de alta pressão e não absorve líquidos: por isso a indústria de alimentos o escolhe.

O Regulamento (CE) 852/2004 exige que recipientes e veículos usados para alimentos sejam limpos e projetados para limpeza e desinfecção [7]. Um pallet plástico de face fechada pode ser lavado com jato de alta pressão e não absorve líquidos: por isso muitas empresas de alimentos o escolhem. Métodos e temperaturas estão em lavagem de pallets plásticos.

O estudo de higiene encomendado em 2020 por uma associação de pallets de madeira ao Instituto de Tecnologia da Madeira de Dresden conclui a favor da madeira: em pallets usados e não lavados, a madeira mostrou atividade antibacteriana mais de 13 vezes maior que um pallet plástico tipo H1 [8]. O estudo foi pago pela associação da madeira. O mesmo estudo constata também que as áreas danificadas dos pallets plásticos usados retêm bactérias e que uma limpeza correta funciona nos dois materiais [8]. Os detalhes estão em pallets higiênicos e para alimentos.

Exportação

Marca NIMF 15 com a espiga de trigo IPPC, código IT e HT carimbada no bloco de um pallet de madeira
Fora da UE, um pallet de madeira precisa ter a marca NIMF 15; um pallet plástico não, mas calços e tábuas de madeira sim.

Para exportar para fora da UE, um pallet de madeira deve ser tratado (em geral HT, 56 °C no núcleo por 30 minutos) e marcado conforme a NIMF 15 [6]. Um pallet plástico fica fora do escopo da norma, porque ela abrange só a madeira. Atenção aos acessórios: calços e tábuas de madeira usados num pallet plástico continuam sujeitos à NIMF 15. Tudo está em pallets para exportação e NIMF 15.

Impacto ambiental: o estudo que favorece a madeira

Esquema da pegada de carbono por viagem de pallets de madeira e plásticos, segundo o estudo Anil 2020
ACV de Anil et al. 2020: por viagem, a madeira tem pegada de carbono 71,8-80,3% menor; numa base de 100.000 viagens, a diferença aumenta.

O estudo científico mais citado é o de Anil et al., publicado em 2020 no Journal of Industrial Ecology após revisão por pares [5]. Por viagem, os pallets de madeira tratados termicamente (HT) ou por radiofrequência (RF) têm pegada de carbono 71,8% e 80,3% menor que a do pallet plástico [5].

Os autores repetem a comparação numa base de 100.000 viagens e escrevem que as diferenças ficam ainda mais marcadas [5]. O estudo, porém, adota as próprias vidas úteis e a própria logística: outras ACVs, com hipóteses diferentes, chegam a conclusões diferentes (você as encontra na página sobre pegada de carbono dos pallets). O plástico concentra o impacto na produção; só o compensa se fizer muitas voltas e, no fim da vida, voltar a ser granulado. Um pallet plástico perdido na terceira viagem é, em geral, a pior escolha para o meio ambiente. Num circuito fechado com poucas perdas, a conta muda.

A partir de 2030, o Regulamento de Embalagens (UE) 2025/40 exige que pelo menos 40% dos pallets e de outras embalagens de transporte usados sejam reutilizáveis dentro de um sistema de reutilização, ressalvadas as isenções previstas [9]. O regulamento não escolhe o material: para a meta, um pallet de madeira num circuito de reutilização vale tanto quanto um plástico. Veja pallets reutilizáveis e PPWR.

Quando compensa o plástico, quando compensa a madeira

Esquema de decisão para escolher entre pallet plástico e pallet de madeira
Plástico se o pallet volta, é lavado ou sai com frequência da UE; madeira se ele vai e não volta.
O plástico compensa se… A madeira compensa se…
o pallet circula num circuito fechado (entre as suas fábricas ou com clientes fixos) o pallet vai e não volta
você perde menos de alguns pallets a cada cem viagens as perdas são altas ou você não as mede
você trabalha com alimentos ou fármacos, ou em áreas que exigem lavagem a carga não tem requisitos de higiene
você exporta com frequência para fora da UE e quer evitar tratamento e marcação você envia principalmente dentro da UE
você precisa de um pallet leve para frete aéreo ou courier o peso do pallet não afeta o custo do transporte
a carga é concentrada e precisa de um formato específico, como as selas para bobinas o formato EPAL padrão basta

Para bobinas e rolos, o formato conta mais que o material: uma sela de plástico moldada segura a bobina parada sem cunhas de madeira. Veja pallets berço para bobinas.

Perguntas frequentes

O que compensa mais: pallet plástico ou de madeira?

Depende de quantas viagens o pallet faz antes de ser perdido ou quebrar. Segundo um fabricante de pallets plásticos, um pallet plástico custa de duas a cinco vezes mais que um de madeira, por isso só compensa em circuito fechado com poucas perdas. Para envios só de ida, a madeira, ou um pallet plástico encaixável leve, continua sendo a opção mais barata.

Quantas viagens faz um pallet plástico em comparação com um de madeira?

Quase todos os números publicados vêm de empresas que vendem um dos dois materiais. Um ensaio de laboratório encomendado por um fabricante de pallets plásticos contou 280 ciclos para o plástico contra 11 para a madeira; a mesma fonte atribui uma vida útil de 5-10 viagens à associação norte-americana dos fabricantes de pallets de madeira. Trate esses números como faixas a conferir no seu próprio circuito.

Os pallets plásticos poluem menos que os de madeira?

Nem sempre. O estudo de ACV (avaliação do ciclo de vida) de Anil et al. (2020), publicado no Journal of Industrial Ecology, coloca a pegada de carbono por viagem dos pallets de madeira 71,8-80,3% abaixo da dos pallets plásticos. O estudo também compara os pallets numa base de 100.000 viagens, incluindo as substituições: segundo os autores, nessa base as diferenças aumentam.

Quanto pesa um pallet plástico em comparação com um de madeira?

Um pallet de madeira 1200×800 costuma pesar cerca de 10-20 kg. Um pallet plástico do mesmo formato vai de cerca de 5 kg, num modelo encaixável leve, até 20-25 kg, num modelo pesado projetado para porta-paletes; ou seja, o pesado pode pesar mais que a madeira.

Preciso de um pallet plástico para exportar?

Não é obrigatório, mas simplifica. A NIMF 15 abrange só as embalagens de madeira, que precisam ser tratadas e marcadas; um pallet plástico fica fora do escopo da norma e não precisa de tratamento nem de marcação.

Fontes

  1. Schoeller Arca – catálogo geral de pallets (PDF)
  2. Craemer – pallets industriais CR3 / CR3-5
  3. ORBIS – Plastic vs. wood pallets (fonte comercial)
  4. DC Velocity – How green are your pallets? (estudos Franklin/CHEP e ERM/iGPS)
  5. Anil et al. (2020), Journal of Industrial Ecology 24: 871-886
  6. IPPC/FAO – NIMF 15 (ISPM 15), Regulamentação de material de embalagem de madeira no comércio internacional (rev. 2018)
  7. Regulamento (CE) nº 852/2004 relativo à higiene dos gêneros alimentícios
  8. EPAL – Wooden pallets show higher levels of antibacterial activity than plastic (2020)
  9. Regulamento (UE) 2025/40 sobre embalagens e resíduos de embalagens (PPWR), texto no EUR-Lex
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